O stress, a ansiedade e a depressão relacionados com o trabalho, têm vindo a receber maior atenção a um nível global. Já em 2019, a Michael Page apresentou as tendências e desafios de executivas e líderes de negócio, enfatizando a necessidade em fomentar uma cultura da empatia e da compreensão nas empresas, destacando o aumento dos problemas de saúde mental dos colaboradores, incluindo os altos cargos de direção.

Com o aumento de indicadores de prejuízo relacionados com saúde mental no trabalho, esta é cada vez mais uma preocupação de negócio.

Mas será fácil, acessível e livre de julgamento?

Surpreendentemente, um estudo da Workplace Intelligence, empresa de estudos de mercado, veio revelar que a grande maioria dos colaboradores prefere falar com um robô do que com o seu chefe, sobre o stress e a ansiedade que sentem no trabalho, e que 82% das pessoas acredita que os robôs as podem apoiar melhor do que os humanos, no que diz respeito a manterem a sua saúde mental equilibrada.

Há indícios que o já existente estigma tenha maior influência no local de trabalho, quando se trata de expor a saúde mental e os problemas associados. Acredita-se que estas hesitações por parte dos trabalhadores em falarem sobre a sua saúde mental, podem fazer com que acabem por trabalhar em más condições, com repercussões na produtividade e, consequentemente, com impacto negativo no desempenho e sustentabilidade da empresa.

A investigação revela que 36% dos colaboradores considera que estes temas podem prejudicar a sua carreira, 20% refere que poderão ser ultrapassados pelos colegas, e 34% afirma que podem refletir uma imagem distorcida da realidade, mostrando incapacidade para cumprirem as suas funções. Além disso, dos 50% dos trabalhadores que já tiveram problemas de saúde mental e pediram ajuda aos seus superiores, um em cada cinco afirma que se sentiu incompreendido e o problema não foi solucionado.

Independentemente do método, as conclusões de diferentes estudos dizem que 76% das pessoas acreditam que as empresas deveriam fazer mais para apoiar a saúde mental dos seus colaboradores.

Perante um panorama de perdas de 1 trilião de dólares face à economia global em produtividade, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a questão do ponto de vista de gestão deixa de ser sobre mudar ou não o paradigma atual da empresa, mas como tornar o ambiente e as chefias saudáveis, acessíveis e com recursos para poderem responder às necessidades dos seus colaboradores.