Apesar do trabalho ser uma parte importante da nossa vida, permitindo-nos não só ter uma fonte de rendimento, atingir objetivos pessoais, construir relações significativas e dar um sentido de utilidade e participação na sociedade, também pode trazer um conjunto de pressões e ansiedades constituindo-se como uma fonte de stress.

Infelizmente hoje em dia, com as mudanças tecnológicas e as cada vez maiores exigências a nível laboral, é praticamente impossível não vivenciar stress no nosso dia-a-dia. O stress no trabalho (também chamado de stress ocupacional) ocorre quando alguém sente que as exigências do seu papel profissional são maiores do que as suas capacidades e recursos para realizar o trabalho; ou também pode ser experienciado quando, pelo contrário, as exigências e expetativas sobre o nosso desempenho são poucas ou nenhumas.

Os sinais típicos de stress no trabalho incluem sintomas físicos e/ou psicológicos: desde cansaço generalizado, aperto no peito, indigestão, dor de cabeça, alterações do apetite e do peso, dores nas costas, passando por aspetos mais psicológicos como irritabilidade, ansiedade, indecisão, desmotivação, dificuldades de concentração, insónia, isolamento ou agressividade.

Muitas vezes questões laborais são transportadas para casa, onde se misturam e entrelaçam com todos os aspetos, também eles stressantes, da vida familiar e vice-versa. Nós somos humanos e únicos, quer estejamos num ambiente ou noutro. Qualquer uma das situações perturba fortemente o equilíbrio e bem-estar das pessoas, fazendo diminuir a sua capacidade produtiva e de se relacionar com os outros e consigo mesma.

Infelizmente, qualquer que seja a origem dos problemas de saúde psicológica que possam afetar o trabalho e os trabalhadores, estes continuam a ser associados a um enorme estigma, acarretando vergonha e preconceito de que são alvo as pessoas que experienciam esses problemas e os assumem perante os patrões e/ou colegas.

Também devido a muitas crenças e aos tais estigmas, muitas vezes os líderes das organizações não promovem locais de trabalho saudáveis devido a um conjunto de ideias erradas e pré-concebidas, ou porque consideram “não ser da sua responsabilidade”, ou “porque isso sai muito caro”, ou porque consideram que isso seja “entrar na privacidade de cada um” e que “cada um é que tem de resolver os seus problemas”. A verdade é que existem uma série de ações simples e eficazes que promovem a saúde psicológica no local de trabalho e que todos os empregadores podem implementar, mudanças subtis, passíveis de serem realizadas em qualquer organização, de qualquer dimensão, que não são muito dispendiosas e que podem ser transformadoras em termos de qualidade do ambiente de trabalho e no bem-estar geral dos colaboradores.

De acordo com a OPP – Ordem dos Psicólogos Portugueses, no Relatório do Custo do Stress e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, 17 colaboradores com depressão podem custar 149.500,00 euros por ano.

Já existe muita investigação que demonstra amplamente os efeitos adversos dos problemas de saúde psicológica e do stress ocupacional para as organizações, nomeadamente no que diz respeito: à diminuição da motivação, desempenho e produtividade, ao compromisso dos colaboradores com a organização e o trabalho, assim como ao aumento do absentismo, presentismo, dos custos de saúde e ao aumento dos conflitos no trabalho (os colaboradores perdem, em média, um dia por mês a lidar com estes conflitos), dos acidentes por erro humano, da rotatividade dos colaboradores e intenção de sair da organização.

Um estudo publicado em 2013 – European Opinion Poll on Occupational Safety and Health – revela que “Portugal está classificado como o terceiro país europeu com a maior proporção de trabalhadores que diz que o stress relacionado com o trabalho é “muito comum” (28%), quase o dobro da média na Europa (16%)”. E desde os anos 2000 que os relatórios da EU-OSHA sugerem que entre 50% a 60% de todos os dias de trabalho perdidos estejam relacionados com o stress laboral.

Se a tudo isto acrescentarmos os últimos dois anos de pandemia e os desafios do teletrabalho, a necessidade permanente de nos adaptarmos às mudanças e à imprevisibilidade, estamos perante um problema crítico, que urge encarar e que só se consegue resolver num esforço conjunto, que envolva todos os que podem, de certa forma, contribuir para a sua resolução.

Cada vez mais as empresas divulgam as suas ações ao nível da Responsabilidade Ambiental ou Social e isso é extremamente importante e digno, numa atitude humanista e de aposta na sustentabilidade e desenvolvimento global, sendo que a atenção para com os seus colaboradores, os maiores ativos que uma empresa pode ter, também devia ser uma preocupação e responsabilidade social.