Não há verdadeira divisão entre o lado pessoal e profissional, o que existe é um ser humano com a sua estrutura, a sua personalidade e as suas defesas, que se ajusta aos vários contextos, e que irá espelhar nas relações profissionais tudo o que é como pessoa. Não há como avaliar um indivíduo pessoalmente e profissionalmente como se fossem coisas distintas.  Questões pessoais e individuais vão sempre refletir-se no trabalho e não há como trabalhar as competências profissionais de um colaborador sem ir à essência de quem ele é.

Mas o que é muito verdade é que não sabemos nada sobre emoções, desconhecemos metade ou mais de quem somos realmente.  Ninguém nos ensina sobre emoções, sentimentos e expressividade individual na escola, por vezes nem dentro da estrutura familiar somos habituados a expressarmo-nos emocionalmente. Desde pequenos que aprendemos tudo sobre o mundo exterior, sobre o que é um animal selvagem ou um animal doméstico, sobre o que é o ciclo da água e as estações do ano, sobre as somas e as divisões e todas as palavras que cabem no dicionário.

O que ninguém nos ensina é a olhar para dentro, é encarar o que trazemos dentro com a mesma curiosidade que uma criança olha para o seu peluche fofo e colorido. Não olhamos para dentro, não sabemos o que sentimos, desconhecemos todas as nuances emocionais que temos ao longo dia, desconhecemos a origem dos nossos medos, dos nossos gatilhos e do que nos tira do sério. Não compreendemos totalmente o impacto que eventos marcantes tiveram na nossa vida, carregamos traumas e mágoas que condicionam o comportamento, o relacionamento com os outros, e acima de tudo, uma vivência plena.

Não há organizações sem pessoas, não há realização pessoal sem autoconhecimento e não há felicidade sem amor. Só trabalhando individualmente cada ser humano podemos ter melhores pessoas, famílias mais saudáveis, empresas mais eficazes e uma sociedade mais plena.

Pessoas felizes são o melhor potencial de uma empresa! A Inteligência Emocional desempenha um papel fundamental dentro das organizações, sendo uma área que só nas últimas duas décadas começou a ser mais explorada. Estudos recentes têm se focado em compreender a relação entre o autoconhecimento emocional e o controle sobre as emoções, e de que forma isso é requisito importante para os recursos humanos e para o colaborador em particular.

Inteligência Emocional ajuda a aumentar o compromisso com a organização, melhora a produtividade e, eficiência, ajuda a reter talentos e a motivar colaboradores para que deem o seu melhor. Este desenvolvimento individual proporciona aos colaboradores melhor trabalho em equipa, capacidade de encontrar soluções para o problema, maior responsabilidade no trabalho, missão do grupo, desafios, rotina, trabalho, autoconfiança entre os trabalhadores.

Nos últimos anos nós temos tido a oportunidade de ver o efeito que este aprendizagem tem na prática, nas empresas com que trabalhamos e onde damos formação. E como indivíduos mais conscientes de si e mais conscientes dos outros melhoram significativamente o seu relacionamento interpessoal, o seu equilíbrio individual e o seu desempenho profissional. As empresas de futuro, as empresas com futuro serão as que se revêm nesta perspetiva, as que compreendem o seu papel económico, social e ambiental, mas que também sabem que têm um papel fundamental a desempenhar no equilíbrio pessoal dos seus colaboradores.