• A ansiedade é um estado mas não nos define, não é um traço de personalidade, é um sintoma, uma resposta a algo. Quando dizemos “eu sou ansioso” é como se não houvesse nada a fazer perante isso.
  • Encarar a ansiedade como uma resposta essencialmente fisiológica, a partir da perceção de um acontecimento, já permite olhar para algo que podemos mudar.
  • A ansiedade traduz-se no efeito do medo perante a deteção inconsciente de uma ameaça (António Damásio já defendia esta perspetiva em 1999). Por sua vez, isso provoca a ativação também inconsciente do corpo pelos sistemas nervosos autónomo e periférico. As ativações destes dois sistemas dão origem a muitos dos sintomas que associamos à ansiedade.
  • A ansiedade sinaliza-nos que os sentimentos dentro de nós são uma ameaça e assim podemos ver que ela tem uma função.
  • Serve para sinalizar e mobilizar o nosso corpo para nos defendermos psicologicamente – mas isso também só funciona se tivermos consciência desta processo de defesa e do que é que realmente nos estamos a defender.
  • Por detrás da ansiedade está a perceção de ameaça e o medo. O medo pode ser uma resposta adaptativa quando estamos perante uma ameaça objetiva ou uma reação não adaptativa se estivermos perante um sinal mal interpretado.
  • O que acontece é que o nosso sistema emocional foi “desenhado” para sobreviver na selva, e continua a operar nos dias de hoje nas relações humanas.
  • Este nosso sistema de deteção de ameaças, que partilhamos com os répteis e os mamíferos, antecede a evolução do córtex pré-frontal humano e funciona independente deste, o que significa uma coisa extremamente importante: nós ficamos ansiosos no corpo, muito antes de o sabermos cognitivamente.
  • Precisamos de aumentar consideravelmente a nossa conexão e consciência do corpo e como nos sentimos; e no nosso dia-a-dia, cada vez mais agitado tem provocado um aumento significativo desta desconexão. Passamos muito tempo nas “nuvens” (pensamentos) e menos na “terra” e é na terra que temos o aqui-e-agora, onde podemos fazer algo para mudar o amanhã.