Quando uma criança, por altura da apresentação entre pares e professor, se apresenta como “eu sou ansiosa”, ou até mesmo “sou preguiçosa”, ou “sou desatenta”, atenção! O modo como a criança se vê, está relacionado com a forma como os adultos a trataram ou tratam, aquilo que lhe dizem e aquilo que a fazem sentir.

As diferenças entre uma característica, um traço de personalidade, um estado (passageiro) ou até mesmo uma atitude reativa a determinadas situações, é muito grande. Quantas vezes uma criança é desatenta em determinadas situações, mas noutras alturas consegue estar focada e interessada?… Ou até tem alturas em que lhe pedem para fazer determinadas tarefas e não faz, parecendo preguiçosa e refilona, mas outras vezes faz, mesmo sem lhe pedirem. Somos nós que, ao rotularmos, quando nos zangamos ou descontrolamos, que as vamos apelidando disto ou daquilo, sendo que depois isso passa a ser a desculpa argumentativa inconsciente (de toda a maneira já me chamam de preguiçosa, para quê esforçar-me?!).

E isto também é válido para adultos! “Eu sou assim” é diferente de dizer “Eu às vezes comporto-me assim ou sinto-me assim”.

Diferente de uma pessoa “ser ansiosa” é perceber que determinadas situações a deixam ansiosa, para que isso, de seguida, possa ser combatido. Identificar situações, pensamentos e sentimentos que estão associados a esse estado é o princípio para que o possamos combater.

Ao longo da vida nós vamos criando defesas e formas de lidar com determinadas situações ou pessoas, geradoras de stress, angústia, medo, e que, enquanto resultam e são eficazes, a coisa corre bem. Mas numa determinada altura começam a não funcionar, a deixar-nos cada vez mais ansiosos e a procurar outras alternativas de combate, cada vez mais exigentes e até causadoras de sofrimento e aí, está na hora de procurar ajuda! Sempre que algo causa sofrimento e nos debilita, precisamos de pedir ajuda para resolver a situação.

Às vezes impede-nos crenças do tipo “não há ninguém que me possa ajudar”, “eu tenho que resolver estas coisas sozinho”, “eu sou assim e já não vou mudar”, entre tantas outras. A verdade, é que a mudança é um processo complexo, demorado, mas, acima de tudo, depende da vontade e do empenho que colocamos nessa mesma vontade!

A ansiedade é uma emoção que, tal como outras, em excesso passa a ser um sinal de que algo não está bem. Tal como uma dor é indicador de que temos um problema numa zona ou órgão do nosso corpo, também sintomas como ansiedade, medos exagerados, insónias, falta de memória, são sinais que o nosso corpo nos envia para que nos tratemos e cuidemos de nós.

Para a Organização Mundial de Saúde, saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afeções e enfermidades”. Por isso, não descure o seu bem-estar psicológico, como nenhum outro.