Em termos de saúde mental a situação que se vivia antes do surgimento desta pandemia já não era propriamente boa, as pessoas viviam a correr, sem tempo para nada, sempre em stress, acumulando zangas, raiva, tristezas, angústias. Com esta pandemia veio a necessidade do isolamento social para conter a ameaça, mas também veio a incerteza, o desconhecido, o medo e com ele, em casos mais extremos, a paranoia, a dúvida constante, o pânico. Como li algures, veio a pandemia e veio o pandemónio.

O nosso cérebro não lida bem com a incerteza, tem a ver com a forma como ele está preparado para nos ajudar a sobreviver e nos ajudou ao longo de milhões de anos, desde os primeiros hominídeos até aos dias de hoje. Não esqueçamos que somos descendentes de sobreviventes! Esta dificuldade que todos nós, humanos, sentimos em lidar com o que não conhecemos, com o que não controlamos, com a incerteza, como se costuma dizer na gíria, “não é defeito, é feitio”. Contudo, há pessoas para quem isto é ainda mais acentuado e para quem a vivência destes tempos é mais penosa e mais angustiante. E essas precisam de apoio psicológico e isso, sublinhe-se, não é nenhuma fraqueza.

Por isso, é natural que a nossa saúde mental venha a sofrer impactos sérios e que não devem ser descurados, pois estamos a ser postos à prova nas nossas estruturas mais arcaicas, no equilíbrio entre o racional e o emocional exatamente numa altura em que o emocional não pode “ficar à solta”, conduzindo-nos a situações extremas de pânico e ansiedade.

E uma das ferramentas mais importantes, para além de nós próprios e da nossa autorregulação emocional, é estar atento à informação da qual nos rodeamos, pois pode marcar a diferença na nossa gestão do medo e da ansiedade. Procure informação em sites e veículos de comunicação fidedignos, procure estar informado(a) sobre todas as medidas a tomar para se proteger a si e aos outros, não alimente notícias que exploram o medo e o pânico e as quais não sabemos a sua veracidade, teorias da conspiração e alarmismos; nada disso ajuda a que nos mantenhamos calmos e serenos.

Como já nos dizia Charles Darwin, no século XIX, mais inteligente não é o animal que corre mais ou o que é mais forte, mas sim aquele que melhor se adapta. Inspiremo-nos na vida animal e procuremos viver o dia presente com calma, sem “fazer filmes” e projeções futuras, pois, ninguém detém esse poder de adivinhar o futuro. Planeamento é diferente de antecipar cenários futuros catastróficos e assustadores; sim, temos de nos preparar, planear a resolução de vários problemas que nos possamos deparar, mas isso é diferente de estar sempre “no medo”, pois esse não nos deixa agir e tolda-nos o raciocínio.

Corpo são em mente sã, é o lema que se impõe, nestes tempos. E se quer ter o seu corpo são, a mente tem de ajudar e estar ao serviço desse equilíbrio.

  • Mantenha-se ativo(a) fazendo atividades que o relaxem e lhe dão prazer (é fundamental)
  • Faça exercício e alimente-se bem
  • Procure fazer atividades que tranquilizem a mente: yoga, meditação, Mindfulness, relaxamento (há muitos vídeos na internet que o(a) podem ajudar
  • Informe-se, pois é importante estar informado, mas tenha em atenção as várias perspetivas (hoje, por exemplo, a progressão de casos infetados não foi tão elevada, o número de pessoas em cuidados intensivos continua sem grandes alterações e tudo isso são boas notícias)
  • Se está em casa com os seus filhos, aproveite e disfrute daquilo que nos andávamos todos a queixar, falta de tempo; brinque com eles, rebole no chão, façam pinturas, riam-se, riam-se muito, vejam filmes (ver ou rever Divertidamente, pode ser uma boa opção para miúdos e graúdos.

Com isto vai estar a produzir hormonas, tais como, serotonina, dopamina e ocitocina (a chamada hormona do amor) que irão ajudar a equilibrar “os pratos da balança” e a reduzir os efeitos do medo e da ansiedade.