Vamos lá falar de motivação!

Vamos lá falar de motivação!

Motivação… uma daquelas palavras que anda na boca e no pensamento de qualquer gestor atento, integra objetivos, memorandos, relatórios e requer-se hoje em dia a qualquer colaborador. São muitas as situações em que, no nosso trabalho de consultoria às empresas, nos são solicitadas ações de formação que aumentem a motivação dos colaboradores. Como se fosse possível, numa ação de um ou dois dias, trabalhar de forma efetiva, sistemática e duradoura uma das atitudes mais complexas de gerir no ser humano. Apesar de ser possível trabalhar a motivação em ações isoladas, este é um trabalho que exige dos lideres das organizações, um trabalho mais profundo ao nível do seu autoconhecimento enquanto líder, e do conhecimento dos seus colaboradores, enquanto indivíduos e como equipa. Só um trabalho contínuo e de proximidade pode efetivamente gerar mudanças de atitude na organização, sustentáveis a longo prazo.

Todo o comportamento humano é motivado. A motivação, no sentido psicológico, é a tensão persistente que leva o indivíduo a alguma forma de comportamento visando à satisfação de uma ou mais determinadas necessidades. É este o conceito daquilo que chamamos Ciclo Motivacional. O Ciclo Motivacional pode explicado da seguinte forma: O ser humano permanece em estado de equilíbrio psicológico, até que surja um determinado estímulo que quebre este equilíbrio e crie uma necessidade, que se sobrepõe ao anterior estado de equilíbrio, e é essa tensão que conduz a um comportamento ou ação capaz de atingir a satisfação daquela necessidade. Se satisfeita a necessidade, o ser humano retornará ao seu estado de equilíbrio inicial, até que outro estímulo sobrevenha.

O motivo é a razão que leva o ser humano a agir; e numa organização ou numa equipa, existem pessoas distintas, com origens, culturas e valores diversos, o que implica, obrigatoriamente motivações diferentes e diferentes necessidades a satisfazer. Há quem valorize o tempo, há quem valorize o dinheiro, há quem se mova pelo reconhecimento ou pela aprendizagem. Se não conhecer devidamente as motivações individuais de cada colaborador, dificilmente um líder consegue dar-lhe os motivos certos para agir.

Abraham Maslow, psicólogo comportamentalista, estudou largamente as necessidades humanas e é incontornável quando abordamos a motivação. No seu estudo sobre a motivação humana Maslow caracterizou alguns aspetos que importa reter:

  • Uma necessidade satisfeita não motiva, não desencadeia comportamentos;
  • Só depois de satisfazer as necessidades primárias é que surgem as demais;
  • Em qualquer situação da vida, qualquer necessidade mais básica e primordial irá sobrepor-se às outras.

Ao nível organizacional, por exemplo, quando surgem rumores de despedimentos, isso é muito ameaçador para o indivíduo e afeta a sua necessidade de segurança, uma das mais básicas. Logo, todas as outras se tornam secundárias. Seguem-se as necessidades sociais, que dizem respeito à nossa necessidade de afeto, de estar ou de pertença a um grupo; depois, as necessidades relacionadas com a autoestima, que dizem respeito à avaliação que o indivíduo faz de si mesmo; quando a pessoa acredita em si mesma e a sua autoestima é positiva, a sua confiança aumenta exponencialmente.

Fazendo o paralelismo da escala das necessidades com a vertente profissional podemos dizer que um indivíduo tem as suas necessidades mais básicas satisfeitas quando é remunerado de forma adequada; estas não estarem satisfeitas, significa por exemplo que a pessoa se sente confinada ao local de trabalho sem ser remunerada adequadamente. Também ambientes de trabalho mal estruturados e políticas da empresa imprevisíveis, mudanças súbitas de orientações hierárquicas, implicam com as necessidades de segurança não satisfeitas, enquanto o oposto acarreta para a pessoa uma sensação de segurança satisfatória.

Earnest R. Archer também desenvolveu a sua Teoria Motivacional, que engloba as linhas orientadoras de Maslow e de Herzberg, e afirma que a motivação é intrínseca e considera que esta tem origem na vida psíquica. Ou seja, é resultado de um processo que envolve a personalidade e o caráter como um todo, ou seja, inteligência, emoções, instintos, experiências etc… Desta forma, o comportamento não é somente efeito de um estímulo externo, ou somente racional.

  • Uma pessoa não motiva outra;
  • O que importa não é a motivação dos funcionários, mas a satisfação das suas necessidades pessoais, o que leva a comportamentos positivos;
  • Um motivo é definido como uma necessidade que atua sobre o intelecto, fazendo com que a pessoa aja;
  • O que motiva uma pessoa, pode não ser o que motiva outra.

São muitos os teóricos e investigadores que se debruçaram sobre as questões da motivação, sobre o que motiva os seres humanos, sobre o que os leva a agir. A melhor forma de trabalhar motivação, começa assim por trabalhar o conhecimento. O conhecimento do próprio líder, o conhecimento de cada colaborador, o conhecimento da dinâmica intrínseca às equipas e por fim à organização. Só desta forma será possível atuar de forma concertada num processo gerador de motivação.

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