Quando amigos e conhecidos se cruzam comigo na rua, principalmente se não nos vemos há muito, é comum surgir aquela conversa do “então o que é que tens feito?”… e essa pergunta comigo, dá pano para mangas! Não apenas porque estou sempre a fazer muita coisa, mas em grande parte pelo “tipo” de coisas que vou fazendo.

Quando digo que estudei Astrologia, quem melhor me conhece e sabe do meu percurso profissional na área do marketing e da comunicação, estranha a temática distante, engelha a testa, torce o nariz, e saca logo da pergunta da praxe: “mas tu acreditas nisso, isso é uma coisa que se pode provar?” Como se, só aquilo que se pode provar num laboratório, definir num cálculo ou observar num microscópio, fosse passível de ser objeto de estudo.

As ciências exatas são fenomenais, trouxeram-nos muito conhecimento, muita inovação e muita tecnologia, e vivemos rodeados dos reflexos da matemática, da física, química ou biologia. Ciências assentes em predições precisas, métodos rigorosos e resultados quantificáveis. Mas o mundo é só feito de ciências exatas? Só pode existir algo que se tenha observado num tubo de ensaio?

As ciências sociais e humanas são igualmente admiráveis, abordam os inúmeros aspetos e perspetivas que rodeiam o homem, como indivíduo e como ser social. Áreas de estudo como a antropologia, sociologia, filosofia e psicologia trouxeram uma evolução de pensamento e um enriquecimento social que não pode ser negligenciado.

Estas não são ciências exatas, não são contas de somar ou dividir… são áreas de estudo, que nunca se esgotam, que se questionam a si próprias, como todas as ciências, e que estão em permanente evolução. É neste enquadramento que também incluo a Astrologia, uma área de estudo que observa os movimentos no cosmos, e analisa e interpreta a forma como isso influi a humanidade e os indivíduos. Não deixa adivinhar o futuro como uma bola de cristal, mas deduz cenários, acontecimentos e contextos prováveis, da mesma forma que na área da Economia se preveem crescimentos, inflações e deflações. Quantos estudos económicos falharam redondamente as suas previsões, sem que isso colocasse em causa toda a área de estudo? Da próxima vez que encontrar um economista, um filósofo ou um antropólogo também lhe vou perguntar: “mas tu acreditas nisso?” – não vou nada, estou a ser irónica!

Isto serve para dizer que o problema é a Astrologia estar envolta de véus de misticismo, esoterismo e ocultismo, que em boa verdade lhe roubaram credibilidade na sociedade atual. Como se o facto de um tema ser menos conhecido, aparentemente menos estudado, ou menos difundido, o tornasse inválido.  Pois tempos houve em que um Mestre não se considerava sábio se não versasse várias áreas de estudo, onde a Astrologia se incluía; não havia ciência sem perceber o Céu e a Terra!

A Astrologia é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento e de aprendizagem sobre o mundo e tudo o que nele acontece. Conhecer o mapa astrológico é ter mais informação sobre o caminho que temos pela frente na vida, é podermos viajar dentro de nós e mais facilmente chegar ao fim do ciclo com um propósito cumprido. Infelizmente, ao longo dos séculos, foram muitas as instituições (não só, nem apenas as instituições religiosas) que, preferindo sociedades e indivíduos que não pensam nem questionam, trabalharam para manter o conhecimento oculto, inacessível e inalcançável. Mas, como qualquer semente deitada ao solo, a Astrologia sempre arranjou forma de furar a Terra e ver a Luz, através de todos os que a estudam há milhares de anos.

Liliana Ponces