Conflitos nas organizações – razões e dicas úteis

Conflitos nas organizações – razões e dicas úteis

Uma organização, seja ela qual for, compõe-se por um grupo de indivíduos com características de personalidade diversas, com valores distintos e objetivos e expetativas também eles muito dispares; por isso mesmo é natural que a vida em grupo provoque tensões, que se podem revestir de formas diferentes, conforme os casos:
Conflitos Intrapessoais
Conflitos Interpessoais
Conflitos Organizacionais (Intragrupo e Intergrupo)

Os conflitos intrapessoais estão relacionados com a interioridade do indivíduo e a sua necessidade de dar uma só resposta entre duas, que se excluem mutuamente. Tem a ver com as suas dúvidas, questões, incoerências internas.

Os conflitos interpessoais surgem entre indivíduos, devido a diferenças individuais de sexo, valores, crenças, nível social, estatuto, cultura, etc., podendo ter, de modo geral, as seguintes razões:

Diferenças Individuais – As diferenças de idades, sexos, atitudes, crenças, valores e experiências contribuem para que as pessoas vejam e interpretem as situações de múltiplas maneiras. Em situações onde se demarque a diferença individual, as situações de conflito são inevitáveis.

Limitação dos Recursos – Nenhuma organização ou grupo possui todos os recursos de que necessita. Os recursos financeiros, técnicos e humanos são limitados. A justa partilha destes recursos por todos os indivíduos é difícil.
Por este facto, há que tomar decisões concretas:

  • Quem ocupa este espaço?
  • Quem ocupa esse trabalho?
  • Quem obtém este equipamento?
  • Quem será informado?
  • Quem tem o poder?
  • Quem pode utilizar o automóvel?
    Etc.

Em parte, são as limitações dos recursos que faz com que exista competição em qualquer sistema. Sempre que um grupo resolve fazer uma partilha equitativa surgem divergências, porque há pessoas que se consideram sempre prejudicadas.

Diferenciação de Papéis – Os conflitos interpessoais podem também surgir da dificuldade em determinar quem pode dar a ordem a outro. Se a autoridade de uma pessoa não é aceite pelo outro, surge o conflito. Quando a entidade patronal e o colaborador estão de acordo quanto a determinado trabalho que é preciso realizar, mas se a entidade patronal fala em tempo suplementar para o realizar, o empregado pode não estar de acordo. O empregado poderá não dizer que não, somente porque daí poderiam, posteriormente, advir problemas para o seu desempenho profissional.

Nas organizações os conflitos podem ainda estar relacionados com as funções, com o indíviduo em relação ao grupo e vice-versa, com o interface função-organização, que se revelam por sinais de desorientação e de incompetência por parte das pessoas no desempenho da sua atividade ou pela elevada dependência das pessoas de algo/alguém para realizarem o seu trabalho.

Conflitos Intragrupo – A forma dos trabalhos e estrutura organizativa do grupo deve ser coerente e sempre que possível reduzir as ambiguidades existentes no grupo, quanto a papéis e estatutos, tendo que ser estes últimos devidamente definidos e coerentes entre si e o grupo.

Conflitos Intergrupo – Muitas das causas de tensões surgem de forma externa ao grupo, tensões intergrupos que se manifestam nas relações com outros grupos dentro da mesma organização, por vezes com natureza diferente.

Contudo, o conflito também pode assumir um papel positivo nas organizações. Cabe ao gestor ou líder geri-lo de forma eficaz e emocionalmente inteligente.

Numa Organização é a estrutura que constitui a fonte potencial de conflito, porque:

  • Trabalham pessoas com funções e responsabilidades diferentes;
  • A informação pode ser pouco partilhada;
  • As perspetivas, valores, interesses e objetivos podem ser diferentes;
  • Nem sempre consideram a empresa como um simples local de trabalho;
  • Regras impostas nem sempre são entendidas;
  • Aumento do espírito crítico e maior aspiração profissional, entre muitos outros fatores.

Algumas das regras de ouro para a resolução de conflitos prendem-se com a comunicação e a inteligência emocional:

  • Separe as pessoas dos problemas;
  • Não procure arranjar culpados;
  • Refira-se sempre ao problema antes de expressar uma recusa;
  • Não se detenha em detalhes do passado, olhe para o futuro;
  • Não se foque nas causas, mas sim na resolução de problemas;
  • Esteja atento(a) às diferenças pessoais e culturais;
  • Dê à outra parte a oportunidade de se justificar;
  • Não faça juízos de valor;
  • Evite comportamentos agressivos ou dominadores;
  • Escute mais do que fala.